domingo, 27 de abril de 2008

A cobertura tremeu

Foi necessário a terra tremer para dar uma estancada no fenômeno Caso Isabella. Depois de quase um mês de uma cobertura exaustiva por parte da imprensa, os telejornais conseguiram fazer com que matérias relacionadas à morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, ocorrida no dia 29 de março, não fossem mais o primeiro item das chamadas e escaladas.

Tal mudança veio da terra. No último dia 22, um terrremoto de 5.2 graus na Escala Richter, com epicentro a 215km de São Vicente, em São Paulo, atingiu quatro estados do país e assustou moradores do Sudoeste brasileiro. O fato aconteceu por volta das 21h, logo após o término do Jornal Nacional, para raiva da equipe que não pode dar o furo. Os jornais matinais foi que se deram bem: o Bom Dia Brasil abriu a edição da quarta-feira 23 com vários minutos dedicados ao terremoto, com uma cobertura em vários municípios de São Paulo, depoimentos de moradores e explicações interessantes. Teve até fala da apresentadora Mariana Godoy contando o que sentiu. Fez jus ao tempo que teve para apurar. Confira aqui a matéria em texto e em vídeo, abaixo.


As notícias se seguiram nos telejornais da manhã e seguintes de todas as emissoras. Um destaque forte, afinal, não é todo dia que a terra treme no Brasil. Segundo alguns espeicalistas, inclusive, este pode ter sido o terremoto mais forte dos últimos 100 anos a atingir o estado paulista.

Um tremor de cinco segundos no país e um verdadeiro abalo na cobertura do Caso Isabella. Já estava até cansativo de ler, ouvir e assistir, a reprovação da audiência aumentava -- falo por muitas pessoas ao meu redor que afirmaram não mais ter paciência para aguentar a enxurrada de notícias sobre o assassinato da menina. Se o jornalismo brasileiro não caísse em si com tal fato, não se sabe mais com que jeito eles iriam dar um tempo na overdose de cobertura.

No entanto, como esperado, este domingo (27) teve um gosto de recaída. Hoje a polícia fez a reconstituiçao do caso no Edifício London, local do crime, e a atuação da imprensa foi forte e duradoura. Desde o início da manhã de hoje, a Globo News e outros canais de jornalismo 24h (em TV fechada) dedicavam horas de sua programação a transmissões ao vivo do local.

Outros resultados foram as extensas reportagens, todas exclusivas, nas emissoras que têm programação jornalística nas noites de domingo. Inclusive, no caso da Record, com a volta de Robeto Cabrini, alguns dias depois de fazer virote numa delegacia de São Paulo acusado de tráfico de drogas (leia mais em posts anteriores).

sábado, 26 de abril de 2008

Confira na GI: Coluna de abril de 2008

É de se achar estranho porque uma estudante de Jornalismo que se propõe a analisar coberturas jornalísticas não tenha falado até agora do fenômeno (em todos os sentidos, inclusive o epistemológico, do termo) Caso Isabella. Minha preferência foi analisar o caso durante todo o mês para formar uma opinião mais globalizada e contextualizada, não de momento. O resultado de meu olhar está na Grande Imprensa, na edição de abril da Coluna Metalíngua na Imprensa. Confira um trecho:

"O que parecia ser mais uma menina morta – se bem que a morte de uma criança, por si só, não é qualquer coisa – se tornou um caso de comoção nacional. Ninguém sabe muito bem quando isso começou, ou o porquê; só se sabe que, desde aquele dia 29, não houve um telejornal, boletim de rádio, site ou jornal impresso que não falasse da morte da menina. Mesmo que fosse pra dizer que não há novidade alguma.

O caso também serviu para exibir uma população bárbara, sedenta de sangue, metida a justiceira e que adora uma câmera. Para aparecer e para colocar para fora os seus demônios, centenas de pessoas se deslocaram de suas casas para a delegacia onde estavam presos Alexandre e Ana Carolina Jatobá e gritavam “assassinos! Monstros! Covardes! Justiça!”. Ao mesmo tempo, jogavam objetos contra o carro onde estavam os dois, empurravam o veículo para lhes ameaçar a integridade física, lhes desejavam a morte. Bárbaros como o(s) assassino(s) da menina, mas só muda a proporção. Houve quem pegasse dois ônibus e um metrô – ou seja, cruzar São Paulo – só para assistir à movimentação da delegacia. Lamentável, mas os jornais adoraram: são os entrevistados perfeitos para falar sobre o caso e causar mais comoção, não?"

Confira a coluna na íntegra aqui.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Cabrini deixa delegacia e diz que retornará ao trabalho

Matéria da G1 desta quinta-feira atualizando a prisão do repórter da Rede Record, Roberto Cabrini. A polícia encontrou cocaína no seu carro. (foto: Carolina Iskandarian/G1)

O repórter Roberto Cabrini deixou o 13º Distrito Policial, na Casa Verde, Zona Norte de São Paulo, por volta das 20h30 desta quinta-feira (17). Com a barba por fazer e aparentando cansaço, Cabrini disse que pretende retomar seu trabalho normalmente e "com a mesma coragem de sempre".

O Tribunal de Justiça de São Paulo deu sentença favorável ao pedido da defesa do repórter para relaxamento do flagrante. Ele havia sido detido na terça-feira sob suspeita de tráfico de drogas. Em seu carro foram encontrados 10 papelotes de cocaína, de acordo com a Polícia Civil.

Questionado sobre quem era mulher que o acompanhava no dia da prisão, Cabrini respondeu: "é apenas uma fonte", acrescentando que durante o inquérito vai ficar muito claro o papel da mulher nesse caso.

O advogado de Cabrini, Alberto Zacharias Toron, comemorou a decisão da Justiça. "Para nós, fica claro que isso tudo não passou de armação. Tenho certeza de que as coisas ficarão esclarecidas." Apesar das circunstâncias, Cabrini estava satisfeito, de acordo com seu advogado. "Ele está abalado, mas feliz quanto ao reconhecimento da Justiça de não que ele não é um traficante." Segundo Toron, o repórter foi bem tratado na delegacia, onde dividiu uma cela com outros sete presos.

De acordo com Renato Martins, um dos advogados do jornalista, o pedido de libertação foi feito na quarta-feira (16). A defesa alega que a droga encontrada no carro de Cabrini foi colocada no local com o objetivo de incriminá-lo.

Ainda segundo o advogado, o pedido de liberdade provisória foi baseado “na absoluta falta de necessidade de uma prisão cautelar”. “Ele trabalha em São Paulo, tem família e filhos aqui. Não há riscos de ele querer fugir”, afirma o advogado.

Defesa
Na noite de quarta, Toron havia afirmado que o jornalista foi vítima de uma cilada armada por uma fonte. “Era uma fonte dele. Ele desenvolvia um trabalho de natureza investigativa. Ela marcou, depois foram para outro local. Mal chegaram nesse outro local, os policiais já vieram e encontraram os papelotes. Do lado dela, diga-se de passagem”, afirmou, referindo-se à mulher que foi detida junto com o jornalista e, depois de ouvida na delegacia, acabou liberada.


Segundo Toron, a fonte teria ligação com a quadrilha que age a partir dos presídios de São Paulo. No passado, essa mesma mulher teria chantageado e ameaçado o jornalista. Cabrini, ainda de acordo com Toron, teria mantido o relacionamento porque a mulher prometeu enviar um material “a respeito do trabalho que ele desenvolvia”.

O advogado diz que “existe algo estranho” no fato de a mulher ter sido libertada logo após ser ouvida na delegacia. “Curiosamente, esta mulher, que tem antecedentes, foi colocada em liberdade, sem maiores constrangimentos, e foi ouvida como testemunha. Eu acho que existe aí algo estranho que precisa ser apurado.”

Cabrini foi repórter na Rede Globo em diversos períodos, o último deles encerrado em 2001. Depois, passou pelo SBT e pela TV Bandeirantes.

Prisão
O boletim de ocorrência registra que policiais que investigavam uma denúncia de tráfico de drogas na periferia da Zona Sul suspeitaram do carro em que estava o jornalista. Quando parou no estacionamento de uma padaria, Cabrini foi abordado. Exames feitos no Instituto Médico-Legal (IML) confirmaram que os papelotes tinham mesmo cocaína.


A mulher que estava com o jornalista carregava um pen-drive, um dispositivo de memória de computador que continha imagens comprometedoras do repórter. Segundo a polícia, o jornalista não quis ver as imagens na delegacia, nem se pronunciar sobre elas.

Aos policiais, Cabrini negou ser usuário de cocaína e disse que estava trabalhando numa reportagem. Em nota, a Rede Record afirmou que a área de jornalismo da empresa tinha o registro interno de que Roberto Cabrini estava desenvolvendo uma reportagem de caráter investigativo.

Por negar ser usuário de cocaína, Cabrini foi autuado em flagrante por tráfico de drogas. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo declarou, em nota, que acredita na inocência do repórter e que a detenção dele foi um equívoco.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Flagra

Uma notícia que não se vê, lê ou ouve todo dia. Um jornalista – e de TV – foi preso acusado de tráfico de drogas. A informação esteve presente em todos os grandes portais de notícia na terça-feira (15) e diz respeito a Roberto Cabrini (foto do site Canal da Imprensa), repórter investigativo (e com um lado sensacionalista) recém-contratado pela Rede Record.

Ele foi detido na noite de terça-feira (15), em São Paulo, e levado para o 100º Distrito Policial e, mais tarde, transferido para o 13º DP. Ele estava acompanhado por uma mulher e foram encontrados, no carro do jornalista, 10 papelotes de coicaína. Ele e a Rede Record alegaram que ele estava fazendo uma matéria investigativa – mas, sem equipe, sem câmera e sem carro de reportagem.

Dentre os grandes portais, o Terra foi quem deu a notícia mais completa, falando sobre a delegacia, a acompanhante dele e a relação entre os dois e até falou de um Oscar Maroni feliz com a prisão do jornalista; mas o portal não atualizou a informação até a manhã desta quarta-feira (16).

Enquanto isso, o G1 saiu na frente e já publicou versão do jornalista sobre o caso: Roberto Cabrini alegou ser vítima de armação, com bilhete e tudo. Se o internauta digitar “Roberto Cabrini” na busca do portal ainda encontra mais outras três postagens, dentre elas, uma da Agência Estado que afirma que foram 15 e não 10 papelotes de cocaína, que um produtor e o cinegrafista estavam em outro carro, também descaracterizado, e que a mulher que o acompanhava é Nadir Dias, sua namorada. (Detalhe: nas notícias seguintes o G1 não cita a informação novamente e nem confirma a quantidade de cocaína encontrada; só reafirma, que eram 10 papelotes.

A Folha de São Paulo foi quem deu a notícia mais fraca sobre o assunto, uma nota que não dizia muita coisa e que não foi atualizada depois.

Não se sabe ainda o que, de fato, aconteceu, mas que o flagra não pegou bem, não pegou. E há mais mistérios nos bastidores do jornalismo do que crê a vã filosofia dos espectadores...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O ombudsman no Orkut e no OI

A saída do jornalisma Mário Magalhães do cargo de ombudsman da Folha de S. Paulo deu o que falar, não foi uma simples demissão. E a gente toma consciência desse fato pelos argumentos e declarações dele sobre as contrapartidas da Folha para sua saída. Luis Antônio Magalhães escreveu sobre o assunto no Observatório de Imprensa no último dia 8. O artigo A estranha despedida do ombudsman traz aspectos relevantes sobre a saída dele e a política editorial do jornal. Vale a pena ler.

Repercussão entre leitores
Fiz uma pesquisa básica entre os leitores da Folha de S. Paulo espalhados pelo Orkut para tentar aferir como eles receberam a notícia da saída de Mário Magalhães. De um modo geral, os leitores entraram em consonância com o resto da imprensa e reprovaram a demissão. Confira alguns depoimentos:

"Lamentei muito a saída do Mário da Folha. Sou assinante UOL e costumo ler a Folha, blogs, outros jornais, etc, todos disponíveis no site. Mas, com o Mário como ombudsman, cresceu meu interesse tanto por suas colunas diárias como pelo painel do leitor. Se não tinha tempo pra ler tudo que costumo ler diariamente, me limitava a ler a coluna dele e o painel do leitor. Tenho muitas críticas a colunistas e ao espaço editorial da Folha, mas, com o Mário aprendi a respeitá-los pq mantiam um VERDADEIRO ombudsman na estrutura do jornal e pq, com o Mário, aprendi a ver diferentes pontos de vistas, baleceá-los, considerá-los conjuntamente. Sua saída talvez tenha também um motivo implícito. A "popularidade" e o respeito dos leitores por ele contrastavam com a crescente dúvidas dos leitores em relação às informações contidas por todo o jornal." - Rafael Conejo

"Há bem pouco tempo descobri onde ficava o blog do ombudsman no site. Ficava escondidinho. Mas ainda assim achei fabuloso o jornal manter alguém que o criticava. Procurei em qualquer outro jornal brasileiro e não havia rastros desse profissional. Elogiei a Folha para vários amigos e os incentivei a procurar esse blog no site. Ontem fiquei sabendo da saída do mesmo. Foi decepcionante. Hoje, nas cartas há uma questionando a saída do Mário e colocando a Folha na parede. Diz que um novo ombundsman "no mínimo deverá acatar as atuais condições impostas pela Folha". Ou seja, não poderá agir livremente. A Folha deu um grande passo para trás, maior do que o tamanho daquele que havia avançado no campo do jornalismo quando decidiu contratar um profissional como esse. Pois agora atesta que não suporta as críticas de seus próprios funcionários. O ombudsman é o psicólogo da comunicação. Ele aponta as falhas. Mas como todo paciente que não está pronto para a verdadeira análise, deixa o consultório e não volta mais." - Igor Fernandes

sábado, 12 de abril de 2008

A velha mistura de política e comunicação

Há tempos se sabe que a política não é autêntica no país. Há muito tempo se sabe que o jornalismo também não o é. É claro que se cabem exceções, mas estas se contam aos dedos... Quando estes dois lados se juntam sem as melhores intenções, os resultados nem podem ser bons nem favorecer a população.

A radiodifusão no Brasil esteve condenada desde sempre a estar desviada. A batalha pela democratização da comunicação é antiga, dura, e ainda está longe de ser vencida. A prova disso é que, hoje, cresceu o número de políticos donos de emissoras de rádio e TV. A notícia, publicada no Observatório de Direito à Comunicação no mês passado, entristece aqueles que tentam fazer da comunicação jornalística no país uma estância que seja, de fato, social.

São 271 políticos sócios ou diretores de emissoras de televisão e rádio (os meios com maior abrangência entre a população) que vão de encontro aos princípios democráticos e à Constituição (art. 54, cap. I). A maioria deles é formada por prefeitos (147), seguidos dos deputados estaduais (55), federais (48) e senadores (20). É um retrato triste de desrespeito às leis por parte daqueles que as fazem e que deveriam cuidar que elas sejam executadas. E o pior de tudo é que este total só abrange ligação direta com os veículos de comunicação, e não aqueles que têm relação através de parentes ou de terceiros, laranjas. Imagine se a pesquisa contasse com eles...

Leis para quem faz as leis – Eles fazem as leis da radiodifusão e deixam as brechas – e, se não há brechas, eles criam ou simplesmente esquecem que há leis. Tudo isso em prol de seus interesses individuais e partidários. Eles são donos, principalmente, de rádios menores e comunitárias, onde a atuação é mais discreta (quem dá atenção às rádios comunitárias, afinal? Só quem tem medo delas...) e mais direta, focada. A política para radiodifusão comunitária é outra que faz tristeza. Sobre isso, Dioclécio Luz escreveu um bom artigo no Observatório da Imprensa em referência ao triste aniversário de 10 anos da lei que regulamenta o serviço de Radiodifusão Comunitária. Vale a pena ler aqui.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Piada de mau gosto



Uma capa de jornal que merece um post. O Jornal A Tarde do dia 04 de abril trouxe aos seus leitores uma piada sem graça, de um humor estranho, na capa da edição (clique na capa e veja a imagem ampliada).

Logo no topo, em vermelho, destaque para o lançamento da revista do Jornal, a publicação Muito. Trata-se de, como afirma sua própria editora, Nadja Vlad, de uma revista que visa mostrar “como Salvador é uma cidade cosmopolita”. Comentários, também inevitáveis, em post futuro, aguardem.

Abaixo, a manchete, e o começo da piada: “1.125 mulheres estupradas por ano na capital”. Um dado chocante, um retrato triste da realidade da violência contra a mulher em Salvador. Quase três mulheres por dia foram violadas em 2007 e, segundo a matéria, sofrem dificuldades no atendimento até na própria Delegacia de Atendimento à Mulher.

Logo abaixo da manchete, o golpe de misericórdia: abaixo de uma chamada sobre estupros sofridos por mulheres, um chapéu “OLHA A COBRA!” intitula um destaque para a notícia de uma cobra sucuri de 3,4 metros encontrada próxima a um shopping do bairro do Imbuí, em Salvador.

A capa tange o mau gosto. A associação, inevitável, principalmente num país que se diverte com o duplo sentido, deve ter sido a piada da equipe de circulação do jornal. É quase ofensivo falar de estupro e, logo abaixo, colocar uma frase humorística de quadrilha de São João para evocar o animal. Tantos outros chapéus poderiam ser utilizados sem, no entanto, abrir mão da criatividade... o editor que deixou tal piada passar subestimou a inteligência – e o senso de seriedade -- do leitor.

Retrocesso e perda

Acabei de saber -- e através de terceiros -- sobre a saída do jornalista Mário Magalhães (foto à esquerda, de Ana Carolina Fernandes, da Folha Imagem) do cargo de Ombudsman da Folha de S. Paulo. As colunas, postadas por ele no site da Folha Online, deixarão de existir, como afirma o Observatório do Direito à Comunicação (leia a nota e a última crítica de Mário aqui). Na capa da Folha, ou na página da coluna, nenhuma mudança foi publicada até as 8h da manhã desta segunda-feira (7), sendo que o Observatório colocou a notícia no ar no domingo (6).

A notícia é triste por já ser uma perda em si. Os textos dele me serviam de fonte para este blog e outras atividades e, particularmente, gostava muito de ler o que ele escrevia, acredito que ele fazia um bom trabalho. Mas o fato é ainda pior quando se observa o porquê de sua saída: segundo o Observatório, Mário deixou o cargo e encerrou sua permanência de um ano na função porque a Folha teria feito a exigência de que suas críticas não fossem mais publicadas on-line.

Uma perda em todos os sentidos, e um retrocesso, um atraso, uma venda nos olhos. A Folha abre mão da transparência e condiciona os leitores a não saber dos seus erros e acertos -- "os comentários produzidos pelo ombudsman durante a semana só poderão ser conhecidos por audiência restrita, de funcionários do jornal e da empresa, que os recebe por correio eletrônico. Os leitores perdem o direito", escreve o ex-ombudsman na sua última crítica. Mário Magalhães não concordou com a exigência e saiu. Em defesa do bom jornalismo, sua atitude não poderia ser outra. Quem perde, em todos os aspectos, é a Folha.