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sexta-feira, 18 de abril de 2008

Cabrini deixa delegacia e diz que retornará ao trabalho

Matéria da G1 desta quinta-feira atualizando a prisão do repórter da Rede Record, Roberto Cabrini. A polícia encontrou cocaína no seu carro. (foto: Carolina Iskandarian/G1)

O repórter Roberto Cabrini deixou o 13º Distrito Policial, na Casa Verde, Zona Norte de São Paulo, por volta das 20h30 desta quinta-feira (17). Com a barba por fazer e aparentando cansaço, Cabrini disse que pretende retomar seu trabalho normalmente e "com a mesma coragem de sempre".

O Tribunal de Justiça de São Paulo deu sentença favorável ao pedido da defesa do repórter para relaxamento do flagrante. Ele havia sido detido na terça-feira sob suspeita de tráfico de drogas. Em seu carro foram encontrados 10 papelotes de cocaína, de acordo com a Polícia Civil.

Questionado sobre quem era mulher que o acompanhava no dia da prisão, Cabrini respondeu: "é apenas uma fonte", acrescentando que durante o inquérito vai ficar muito claro o papel da mulher nesse caso.

O advogado de Cabrini, Alberto Zacharias Toron, comemorou a decisão da Justiça. "Para nós, fica claro que isso tudo não passou de armação. Tenho certeza de que as coisas ficarão esclarecidas." Apesar das circunstâncias, Cabrini estava satisfeito, de acordo com seu advogado. "Ele está abalado, mas feliz quanto ao reconhecimento da Justiça de não que ele não é um traficante." Segundo Toron, o repórter foi bem tratado na delegacia, onde dividiu uma cela com outros sete presos.

De acordo com Renato Martins, um dos advogados do jornalista, o pedido de libertação foi feito na quarta-feira (16). A defesa alega que a droga encontrada no carro de Cabrini foi colocada no local com o objetivo de incriminá-lo.

Ainda segundo o advogado, o pedido de liberdade provisória foi baseado “na absoluta falta de necessidade de uma prisão cautelar”. “Ele trabalha em São Paulo, tem família e filhos aqui. Não há riscos de ele querer fugir”, afirma o advogado.

Defesa
Na noite de quarta, Toron havia afirmado que o jornalista foi vítima de uma cilada armada por uma fonte. “Era uma fonte dele. Ele desenvolvia um trabalho de natureza investigativa. Ela marcou, depois foram para outro local. Mal chegaram nesse outro local, os policiais já vieram e encontraram os papelotes. Do lado dela, diga-se de passagem”, afirmou, referindo-se à mulher que foi detida junto com o jornalista e, depois de ouvida na delegacia, acabou liberada.


Segundo Toron, a fonte teria ligação com a quadrilha que age a partir dos presídios de São Paulo. No passado, essa mesma mulher teria chantageado e ameaçado o jornalista. Cabrini, ainda de acordo com Toron, teria mantido o relacionamento porque a mulher prometeu enviar um material “a respeito do trabalho que ele desenvolvia”.

O advogado diz que “existe algo estranho” no fato de a mulher ter sido libertada logo após ser ouvida na delegacia. “Curiosamente, esta mulher, que tem antecedentes, foi colocada em liberdade, sem maiores constrangimentos, e foi ouvida como testemunha. Eu acho que existe aí algo estranho que precisa ser apurado.”

Cabrini foi repórter na Rede Globo em diversos períodos, o último deles encerrado em 2001. Depois, passou pelo SBT e pela TV Bandeirantes.

Prisão
O boletim de ocorrência registra que policiais que investigavam uma denúncia de tráfico de drogas na periferia da Zona Sul suspeitaram do carro em que estava o jornalista. Quando parou no estacionamento de uma padaria, Cabrini foi abordado. Exames feitos no Instituto Médico-Legal (IML) confirmaram que os papelotes tinham mesmo cocaína.


A mulher que estava com o jornalista carregava um pen-drive, um dispositivo de memória de computador que continha imagens comprometedoras do repórter. Segundo a polícia, o jornalista não quis ver as imagens na delegacia, nem se pronunciar sobre elas.

Aos policiais, Cabrini negou ser usuário de cocaína e disse que estava trabalhando numa reportagem. Em nota, a Rede Record afirmou que a área de jornalismo da empresa tinha o registro interno de que Roberto Cabrini estava desenvolvendo uma reportagem de caráter investigativo.

Por negar ser usuário de cocaína, Cabrini foi autuado em flagrante por tráfico de drogas. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo declarou, em nota, que acredita na inocência do repórter e que a detenção dele foi um equívoco.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Flagra

Uma notícia que não se vê, lê ou ouve todo dia. Um jornalista – e de TV – foi preso acusado de tráfico de drogas. A informação esteve presente em todos os grandes portais de notícia na terça-feira (15) e diz respeito a Roberto Cabrini (foto do site Canal da Imprensa), repórter investigativo (e com um lado sensacionalista) recém-contratado pela Rede Record.

Ele foi detido na noite de terça-feira (15), em São Paulo, e levado para o 100º Distrito Policial e, mais tarde, transferido para o 13º DP. Ele estava acompanhado por uma mulher e foram encontrados, no carro do jornalista, 10 papelotes de coicaína. Ele e a Rede Record alegaram que ele estava fazendo uma matéria investigativa – mas, sem equipe, sem câmera e sem carro de reportagem.

Dentre os grandes portais, o Terra foi quem deu a notícia mais completa, falando sobre a delegacia, a acompanhante dele e a relação entre os dois e até falou de um Oscar Maroni feliz com a prisão do jornalista; mas o portal não atualizou a informação até a manhã desta quarta-feira (16).

Enquanto isso, o G1 saiu na frente e já publicou versão do jornalista sobre o caso: Roberto Cabrini alegou ser vítima de armação, com bilhete e tudo. Se o internauta digitar “Roberto Cabrini” na busca do portal ainda encontra mais outras três postagens, dentre elas, uma da Agência Estado que afirma que foram 15 e não 10 papelotes de cocaína, que um produtor e o cinegrafista estavam em outro carro, também descaracterizado, e que a mulher que o acompanhava é Nadir Dias, sua namorada. (Detalhe: nas notícias seguintes o G1 não cita a informação novamente e nem confirma a quantidade de cocaína encontrada; só reafirma, que eram 10 papelotes.

A Folha de São Paulo foi quem deu a notícia mais fraca sobre o assunto, uma nota que não dizia muita coisa e que não foi atualizada depois.

Não se sabe ainda o que, de fato, aconteceu, mas que o flagra não pegou bem, não pegou. E há mais mistérios nos bastidores do jornalismo do que crê a vã filosofia dos espectadores...