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sábado, 16 de agosto de 2008

Procurando pêlo em ovo

Descobri há alguns meses um site chamado Opinião e Notícia. O nome já diz tudo, né? E se não diz, este slogan tentará dizer: "Opinião Corajosa, Notícia Relevante". A proposta de reunir informação e opinião num site não é nova, e é uma coisa que poucos conseguem fazer bem.

Eu não visitava o ON há um bom tempo, e resolvi me relembrar dele. Mas particularmente, venho falar de uma seção deles que me ineressa bastante: a Nossa Mídia (imagem retirada da seção). É o Metalíngua na Imprensa deles -- tenho que puxar a rede pro meu lado... --, que está na editoria Mídia. Achei que acharia um igual, mas acabei descobrindo uma fonte.

A coluna é bem amadora. Tá, olha quem fala, mas assumo meu amadorismo num formato que já fala por si, o blog. Eles se impostam num site e fazem todo um discurso numa coluna geralmente gorda de críticas que fazem questão de ressaltar serem construtivas. Muitas sim -- a maioria se baseia em correção de erros de revisão textual, outros já partem para títulos e conteúdos de matérias.

Mantive minha opinião das primeiras visitas sobre a Nossa Mídia na última que fiz. O amadorismo que me refiro se coloca num texto bem raso e em críticas exageradas. Uma me chamou a atenção, dentro do intertítulo "Títulos Estapafúrdios":

"11/8, revista Época, pág. 15. A seção "Primeiro Plano", que tem como subtítulo "Fatos, pessoas, idéias e tendências que traduzem o espírito do tempo" dedica uma página inteira à maluquete profissional americana Paris Hilton, com foto dela seminua e o título: "Personagem da semana: Paris Hilton". Tudo isso porque os candidatos McCain e Obama andaram mencionando seu nome. Mas dizer que ela "...traduz o espírito do tempo" é um pouco demais."

Por favor, menos. Ou melhor, mais -- senso crítico sobre os fatos. É só reparar em como este mundo anda que dá pra ver que, pro bem ou pro mal, Paris Hilton traduz o espírito do tempo. Sua riqueza, futilidade e atenção que recebe da imprensa americana são uma conseqüência da importância que damos "às grandes coisas". Sua herança é gratuita, e sua personalidade não rende nada em seções que não de entretenimento e fococa.

O próprio uso de McCain, na sua campanha, da grande herdeira, já reforça isso. Cada vez mais queremos celebridades, e ela ganha atenção fazendo, literalmente, coisa nenhuma. E se tornou um modelo para muitas crianças e adolescentes da terra do Tio Sam. É, sim, uma personagem, e daquelas.

A impressão é que o Opinião e Mídia procura o que criticar nos jornais e meios de comunicação. Saiamos do literal um pouco, filtremos as nossas palavras sobre os outros, sejamos corajosos para falar o necessário, numa referência ao slogan do site. Sempre digo que é muito fácil criticar os jornalistas quando não se entende uma série de coisas, inclusive sobre o dia-a-dia da profissão. No caso da Nossa Mídia, eles não entenderam muito bem o conceito contemporâneo que atribuímos ao termo "celebridade".

Para curtir mais, confira o resto da coluna de 16 de agosto.