Esta semana o Jornal Nacional apresenta a série Violência, que trata de mostrar porque, no nosso país, isto virou algo tão rotineiro, além de apresentar abordagens mais analíticas e profundas sobre o tema. No episódio de hoje, uma triste estatística: no Brasil, morre-se mais da violência do que no Iraque, da Guerra. A matéria também fala mais, e bem, sobre a violência no universo infantil.
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008
sexta-feira, 21 de março de 2008
O autismo na saúde
O estado do Rio de Janeiro está sucumbindo à ação do mosquito Aedes Aegipty. Só neste ano, em menos de três meses, quase 24 mil pessoas tiveram dengue no estado; 49 mortes foram confirmadas até a manhã desta sexta-feira (21), sendo 31 na cidade maravilhosa (o 31º caso foi confirmado na tarde de hoje). Com tais números (e estes são só alguns), é impossível não se chamar a atenção. Veja matéria do Jornal Hoje desta sexta sobre a dengue no Rio:
Diante disso, o secretário de Saúde do Rio, Sérgio Cortês, admitiu o caráter epidêmico da doença no estado, e a declaração explodiu em todos os meios de comunicação na quinta-feira (20). “Estou tratando como uma epidemia porque o número de casos é extremamente elevado. Nós temos que entender que a nominação não é importante”, afirmou ele ao Jornal O Globo. Já o autista da vez é o prefeito do Rio, César Maia, que tenta negar a gravidade da situação e insiste em dizer que o índice da doença está diminuindo. Ele se baseia numa curva de infestação cujo pico ocorreu entre janeiro e fevereiro, e que agora estaria em declínio. Se é declínio o que estamos vendo na imprensa, imagine o que seria o pico – e vale lembrar que, neste período, a dengue no Rio não recebeu tanta atenção com agora.
A Folha On-line praticamente não divulgou notas sobre a alegação do prefeito; preferiu polemizar e enfatizar a resposta dele às críticas do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que responsabilizou a prefeitura pelo alto índice da dengue no estado. E enquanto os dois se pegam neste bate-e-rebate, o mosquito voa solto. Cortês não se mete no assunto e sai por aí divulgando as ações do governo estadual para tentar coibir a doença, ações estas que ganharam mais destaque que o necessário no G1.
Quem saiu bem no caso foi o Estadão: enquanto um alega que há epidemia, outro, surto e ainda outros, que não há nada (há quem diga!), o jornal afirmou a primeira hipótese, mas embasou sua escolha com dados do Ministério da Saúde – e ainda alfinetou César Maia. Confira aqui.
Diante disso, o secretário de Saúde do Rio, Sérgio Cortês, admitiu o caráter epidêmico da doença no estado, e a declaração explodiu em todos os meios de comunicação na quinta-feira (20). “Estou tratando como uma epidemia porque o número de casos é extremamente elevado. Nós temos que entender que a nominação não é importante”, afirmou ele ao Jornal O Globo. Já o autista da vez é o prefeito do Rio, César Maia, que tenta negar a gravidade da situação e insiste em dizer que o índice da doença está diminuindo. Ele se baseia numa curva de infestação cujo pico ocorreu entre janeiro e fevereiro, e que agora estaria em declínio. Se é declínio o que estamos vendo na imprensa, imagine o que seria o pico – e vale lembrar que, neste período, a dengue no Rio não recebeu tanta atenção com agora.
A Folha On-line praticamente não divulgou notas sobre a alegação do prefeito; preferiu polemizar e enfatizar a resposta dele às críticas do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que responsabilizou a prefeitura pelo alto índice da dengue no estado. E enquanto os dois se pegam neste bate-e-rebate, o mosquito voa solto. Cortês não se mete no assunto e sai por aí divulgando as ações do governo estadual para tentar coibir a doença, ações estas que ganharam mais destaque que o necessário no G1.
Quem saiu bem no caso foi o Estadão: enquanto um alega que há epidemia, outro, surto e ainda outros, que não há nada (há quem diga!), o jornal afirmou a primeira hipótese, mas embasou sua escolha com dados do Ministério da Saúde – e ainda alfinetou César Maia. Confira aqui.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Desdizendo o dizer
Na semana passada, no dia 29.02, os grandes telejornais repercutiram as declarações do presidente Lula sobre a ação e, principalmente, intromissão dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário sobre os problemas do país. Me chamou a atenção a forma que o Jornal Nacional escolheu para chamar a atenção para o fato. No início do jornal, a escalada anunciava os destaques da edição, já afirmando que Lula causara polêmica ao comentar que “Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles”. Logo depois, uma chamada para a repercussão do ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Até aí, menos mal, né? Mas, quando você assiste a matéria (ou lê), percebe uma lacuna entre o seu conteúdo e a chamada. Lula, ao contrário do que a chamada me fez pensar (e provavelmente, você também), não criticou somente o Judiciário.
Na sua fala, ele critica o que seria um “hábito” entre os Três Poderes de um se meter nas questões que dizem respeito aos outros. O detalhe, é que o presidente criticou, inclusive, a si.
- “Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas dele e o Executivo apenas nas coisas deles. Nós iríamos criar a harmonia que está prevista na Constituição”.
O JN trata o discurso como mais uma das célebres e polêmicas frases de nosso presidente, frase esta que teria até aberto a possibilidade de uma crise entre os três poderes. Não que ela não seja polêmica. Mas a abordagem utilizada frustra as expectativas do espectador: quem se prende à chamada, acha que ele cutucou apenas o Judiciário, mas o espectador atento percebe que Lula fez uma crítica generalizada.
A matéria se tornou engraçada depois, quando Lula comenta a repercussão (negativa) de sua tirada. Ele afirma que todos têm o direito de dar “pitacos”.
- “Da mesma forma que como ser humano e brasileiro as pessoas dão palpite sobre as coisas, o presidente da República pode dar palpite e julgar o palpite dos outros. Afinal de contas, aí está um debate político”.
Ele acabara de entrar em contradição – e com o bom humor que não o acompanhou na hora da alfinetada primeira. Acho que o aspecto interessante do comentário do presidente, e que mais valia ser explorado, veio justamente aí. Todos têm o direito de dar pitacos (inclusive e principalmente ele), mas um não pode falar do outro? Ih, Lula, cadê a coerência? Uns me diriam que esta há muito tempo lhe falta, mas este blog não abarca esta questão.
A edição da chamada foi bem-sucedida porque foi atraente, mas foi atraente por um demérito. A retirada de parte da frase a deslocou de seu contexto e alterou o seu significado. O resultado? Algo comum na imprensa, infelizmente: o espectador pensa que a fonte disse uma coisa quando, em verdade, disse outra.
Até aí, menos mal, né? Mas, quando você assiste a matéria (ou lê), percebe uma lacuna entre o seu conteúdo e a chamada. Lula, ao contrário do que a chamada me fez pensar (e provavelmente, você também), não criticou somente o Judiciário.
Na sua fala, ele critica o que seria um “hábito” entre os Três Poderes de um se meter nas questões que dizem respeito aos outros. O detalhe, é que o presidente criticou, inclusive, a si.
- “Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas dele e o Executivo apenas nas coisas deles. Nós iríamos criar a harmonia que está prevista na Constituição”.
O JN trata o discurso como mais uma das célebres e polêmicas frases de nosso presidente, frase esta que teria até aberto a possibilidade de uma crise entre os três poderes. Não que ela não seja polêmica. Mas a abordagem utilizada frustra as expectativas do espectador: quem se prende à chamada, acha que ele cutucou apenas o Judiciário, mas o espectador atento percebe que Lula fez uma crítica generalizada.
A matéria se tornou engraçada depois, quando Lula comenta a repercussão (negativa) de sua tirada. Ele afirma que todos têm o direito de dar “pitacos”.
- “Da mesma forma que como ser humano e brasileiro as pessoas dão palpite sobre as coisas, o presidente da República pode dar palpite e julgar o palpite dos outros. Afinal de contas, aí está um debate político”.
Ele acabara de entrar em contradição – e com o bom humor que não o acompanhou na hora da alfinetada primeira. Acho que o aspecto interessante do comentário do presidente, e que mais valia ser explorado, veio justamente aí. Todos têm o direito de dar pitacos (inclusive e principalmente ele), mas um não pode falar do outro? Ih, Lula, cadê a coerência? Uns me diriam que esta há muito tempo lhe falta, mas este blog não abarca esta questão.
A edição da chamada foi bem-sucedida porque foi atraente, mas foi atraente por um demérito. A retirada de parte da frase a deslocou de seu contexto e alterou o seu significado. O resultado? Algo comum na imprensa, infelizmente: o espectador pensa que a fonte disse uma coisa quando, em verdade, disse outra.
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